Culturas e identidades contemporâneas

Outubro 24, 2009

Identidade, segundo o dicionário é o conjunto de caracteres próprios. Antes se pensava que cada pessoa tinha somente a sua identidade, única e proveniente da cultura a qual fazia parte. Como se as pessoas de uma mesma família, consequentemente, tivessem a mesma formação de identidade, afinal tiveram as mesmas experiências históricas. Isso porque as tradições eram passadas de gerações para gerações e deviam ser mantidas. Era um dever que todos os membros da família soubessem de suas origens e prezassem por elas, passando aos seus filhos e assim por diante. Era assim que consideravam a formação de identidades a partir do coletivo.

Posições estão se opondo a esse pensamento, afirmando que nas sociedades nas sociedades modernas as identidades são descentralizadas, deslocadas, fragmentadas. Existindo dois tipos de identidades: identidades sociais e identidades pessoais. Estamos em constante mudança e em contato freqüente com tipos de cultura totalmente diversificados. O que antes era uma família ao jantar falando sobre o dia de trabalho em que estiveram juntos, hoje é uma família que está à mesa falando sobre as diferentes experiências que cada membro passou ao longo de seu dia.

Os meios de comunicação foram os principais responsáveis por essa ruptura de tradição. Possibilitam que as pessoas “abram a cabeça” para que o mundo tem a oferecer, para o que as pessoas tem a oferecer e para o que cada um quer consumir. O coletivo não foi substituído, a cultura e as tradições continuam a fazer parte da formação dos indivíduos, entretanto o individual começa a ganhar forças. Se eu estiver interessado na cultura do Japão, tenho meios suficientes para me tornar alguém tão conhecedor, quanto os próprios japoneses. Isso porque as comunidades e os materiais fornecidos são riquíssimos. Posso baixar músicas de cantores que estão fazendo sucesso por lá, posso ler notícias sobre o país, posso aprender o idioma através de cursos online, vendo vídeos tenho sensação de presença, conversando com pessoas de lá, analisando mapas descubro aspectos geográficos.

Por isso a importância que dá para a inclusão digital, por exemplo, Martín Barbero. Penemos a riqueza de conhecimento que crianças, sem condições que estudam em escolas sem acesso à internet, perdem ao não terem contato com esse tipo de meio. Enquanto outros estão com toda a informação nas mãos, basta selecionar o que consideram relevantes, essas crianças acabam perdendo um mundo de cultura e conhecimento concretizado atualmente. A globalização se define assim e preza por isso. A globalização com seus impactos em escala global, sem barreiras de fronteiras nacionais, conecta regiões e pessoas, tornando tudo mais interconectado. A grande quantidade de informação faz que sejamos parte de um mundo compartilhado, vividos por todos. Faz com que tenhamos consciência social de aspectos relevantes à humanidade e não apenas ao buraco aberto em nossa rua. Essa gama de informações serve para que escolhamos a maneira com que queremos nos posicionar diante dos acontecimentos do mundo e de nós mesmos.

Informação tem de sobra de tudo o que se pensa, o que nós como indivíduos estamos aprendendo a fazer é justamente filtrar o que nos é importante e útil. As pessoas tem objetivos e interesses diferentes entre si e que agora conseguem ter espaço e ferramentas para cultivar. Com tantos recursos podemos alimentar várias identidades e não somente uma. Posso ser fã de Rock’n Roll, participar de comunidades e fóruns que falem sobre isso, mas ao mesmo tempo ser um profissional de áreas extremamente sérias, como administrador. Alguns me conhecerão como o fã de ACDC, alguém muito louco que gosta de cantar, berrar, tocar guitarra e se diverte muito com isso. Outros, podem reconhecer essa mesma pessoa como o chefe responsável e respeitado por todos dentro da empresa, alguém que preza por seriedade e competência.

O fato de termos mais de uma identidade não nos torna alguém sem personalidade, justamente o contrário, nos torna alguém real. As pessoas se comportam de maneiras diferente em cada situação, nada mais normal do que elas terem variações de jeitos que se mostram nas identidades que assumem. Stuart Hall diz: “O sujeito, previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornando fragmentado; composto não de uma única, mas de várias identidades, algumas vezes contraditórias ou não resolvidas”.

As identidades vão se transformando de acordo com nossa vivência. Nossos gostos e modo de pensar sobre os acontecimentos vão evoluindo de acordo com a etapa na qual estamos passando. São identidades diferentes do “eu” em momentos diferentes, não havendo uma única identidade padrão e lógica.
A cultura entra na formação das identidades através de narrativas que se recriam e se entrelaçam ao imaginário como memória coletiva. Ela se configura junto com a intensificação da comunicação, conhecendo novos modelos de vida de pessoas e países.

Assim os meios de comunicação estão diretamente ligados, pois na maioria dos casos, não se tem a oportunidade de ir até um local conhecer seus hábitos. Entretanto é possível obter tantas informações como se tivesse ido através dos meios. Eles contribuem para a formação do nosso social distribuindo conhecimento, porém esse conhecimento deve ser analisado antes de tudo. Sabemos que em um mundo de interesses, as notícias serem manipuladas não é novidade. Temos que observar e fazer uma crítica sobre o que estamos consumindo. A mídia tem a capacidade de moldar nossos gostos, nosso modo de vida, fazer com que odiemos alguém sem sequer conhecer. A dimensão e impacto que ela causa é extremamente competente, muitas das culturas e identidades que temos hoje, tem a mídia, como “fonte de alimentação”.

A mídia consegue nos aproximar de culturas através de imagens. Temos a sensação de já conhecer locais, comentar sobre seus pontos fortes, sem nunca ter estado fisicamente em tal. Nos apresenta hábitos com narrativas e personagens.
“À medida em que as culturas nacionais tornam-se mais expostas a influências externas, é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural.” Hills se refere justamente a isso, o fato de que as pessoas podem estar isoladas geograficamente, mas de uma maneira ou outra fazem parte de um todo global que hoje é reconhecido e quebra barreiras. Todas as regiões tem o seu modo de vida, as que conseguem preservá-lo estão orgulhosas e consideram esse um ponto de destaque, manter as tradições.

As identidades tornam-se desvinculadas por não possuírem um local físico de referência, por não seguirem as mesmas lógicas. Porém continuam a existir e de modo diferente, mas fortes por “lutarem” pelo fato de ser uma opção construí-las do jeito que são.

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