O e-mail não é um telégrafo: NTIC e aprendizagens sociais
Dezembro 30, 2008
Ao longo do século XX a comunicação foi sendo reconhecida e analisada por outras disciplinas do saber. As escolas de Frankfurt e Palo Alto contribuíram no estudo da comunicação. A escola de Frankfurt é formada por pensamentos de um grupo de filósofos e cientistas sociais. Associa-se diretamente à chamada Teoria Crítica da Sociedade (centrada, principalmente, em entender a cultura como elemento de transformação da sociedade).
Já os pesquisadores da Escola de Palo Alto procuram entender o processo de canais múltiplos em que o indivíduo se expressa a partir de seus gestos, sua visão e até de seu silêncio. Para exemplificar esse modelo, utilizam a metáfora de uma orquestra. O conceito bastante difundido entre os estudantes de comunicação, por comparar este modo de expressão, não necessariamente falado, a de um músico de orquestra que abusa de seu corpo e sons em sua produção, sem a necessidade da fala. Visão sistemática da comunicação.
As teorias orquestrais foram propostas por Gregory Bateson (1904 – 1980) e outros nomes, que afirmam que nas inter-relações humanas são envolvidos elementos extralingüísticos, como gestualidade e espaço interpessoal, forma-se um processo de construção de ambientes. Questionam que comunicação não é linear como se acreditava, mas sim circular como já dizia Norbert Weiner (1894 – 1964), onde o receptor passa a ter um papel tão importante quanto o emissor.
Comunicação é plural, não somente receptor e emissor. É multimodal. Todo receptor reage à mensagem, vive a inter-relação. A mensagem se transforma no caminho que percorre. Estamos constantemente em comunicação, mesmo que o receptor não seja alguém humano.
O estudo da comunicação deixa de ser somente exato, como no caso da matemática e passa a deslocar-se para o campo das Ciências Sociais, apoiado na reunião de diversas áreas do saber – antropologia, matemática, sociologia, lingüística, psiquiatria e outros. Existiu um modelo de pensamento delimitador que fracassou, pois a ciência foi estruturada, o conhecimento tornou-se disciplinar, individualizando por matérias. Esta idéia posteriormente fracassa, percebe-se que não é possível totalização. Sistemas necessitam de mistura para não serem extremamente limitados, é fundamental a confluência de várias áreas para resolver problemas, assim como a Escola de Palo Alto se posiciona.
Assim, surge a Teoria Estruturalista proposta por Lévy Strauss (1829 – 1902) que diz ser fundamental ter estruturas básicas para compreender a cultura. Identifica as estruturas da comunicação entre as pessoas. Os seres estão em comunicação entre si e com o ambiente, os estruturalistas propõem a pesquisa como trabalho de campo, pois permite voltar à superfície dos dados secundários, mas não impede a elaboração conceitual. E Philippe Descola (1949 – ) em 1993, diz que tornar mais acessível sua pesquisa aceitando narrativizá-la procede de uma “dupla responsabilidade social”, tanto para os que participaram como objeto de estudo, quanto os incentivadores da pesquisa.
É importante trabalhar as relações coletivas. Observar os comportamentos, como se manifestam, como reagem, o seu cotidiano, não avaliar somente os resultados, mas todos os detalhes do processo. Criar um plano de observação, com objetivos para registrar com método. Estabelecendo perguntas que orientam o trabalho e não nos dados finais, como enfoque principal.
A circulação de informação deve ser cada vez mais rápida, antigamente graças aos meios de comunicação de massa e hoje, às novas tecnologias da informação e da comunicação (NTIC). Surge, assim, a necessidade de ter pontos de comunicação em vários lugares para garantir eficiência.
As novas tecnologias de informação se tornam interpessoais. Não mais entre máquinas, mas evolui para uma comunicação interativa, como a comunicação digital. Inicialmente acreditava-se que o e-mail incentivaria à escrita, ao domínio da ortografia. Ao contrário, criou-se uma linguagem própria originada pelo próprio uso do meio. Concluiu-se que um dos grandes destaques desse meio era a sustentação das relações interpessoais geradas. Os computadores se tornaram instrumentos para lançar projetos interdisciplinares, além de favorecer a automação dos alunos, entre outros casos.
Yves Winkin (1953 -) em seu livro, A nova Comunicação: Da teoria ao trabalho de campo – 1998, diz: “A comunicação torna-se um quadro primário, como diria Goffman (1974), um quadro primário analítico, ou seja, uma maneira científica, explicitamente construída, em luta constante contra o senso comum, de observar o mundo social”.
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1.
Joyce Diehl | Maio 25, 2009 at 6:48 pm
Muito bom seu texto. Sou aaqruiteta, edotira de revista sobre, e estudando jornalismo para entender mais a comunicação, por siso te achei.