Comentário para a televisão sobre: “Caso Isabella”
Maio 15, 2008
Voz popular: voz do julgamento correto?

Bom dia, telespectadores brasileiros! Venho a público comentar com vocês sobre o assunto-chave da maioria das conversas rotineiras de uns dias para cá, sendo na hora do chimarrão com a família, com um desconhecido no ônibus, na sala de espera com a secretária, etc. O “Caso Isabella” é sem dúvidas, o “assunto do momento”, o assunto em que todos são peritos, de que todas as pessoas têm opinião, de que todos se consideram capazes de julgar.
Uma menina de cinco anos, no meio da noite do dia 29 de março, aparece caída no gramado do prédio onde mora seu pai. Fato triste e grave que abalou o país, principalmente por se tratar de uma criança. Mas o que faz o caso de Isabella se destacar no meio de tantos outros de mesma brutalidade?
A televisão é uma das respostas. O destaque dado por ela ao caso, a partir da comunicação persuasiva, em que as informações transmitidas são capazes de mobilizar emoções e raciocínios, a mídia televisiva usa de muitas informaçõe
s da polícia e imagens conseguindo atingir a sensibilidade da população.
Dessa maneira, pessoas vão às ruas para protestar contra o crime, pedindo justiça, incriminando seus prováveis responsáveis. Pessoas essas, que em sua maioria, nunca conheceram a menina e nem seus familiares.
Influencia demais por tudo que é transmitido, a população considera tem conhecimento suficiente para julgar um crime, do qual nem a polícia terminou as investigações ainda. Incriminar uma pessoa, ou até mesmo inocentá-la, é algo extremamente delicado, pois estamos lidando, não com personagens, como no Caso Isabella, madrasta assassina e pai cúmplice, mas com vidas que mudam completamente de acordo com a sentença final.
Cito um fato de um jornalista, Guilherme Fiúza, para reflexão. Fiúza comenta recentemente com uma emissora de rádio que já passou por um caso semelhante ao de Isabella, em que, no seu próprio apartamento tropeça, sem querer, e deixa seu filho de apenas um mês cair do oitavo andar do prédio. Até ser provada sua inocência, muitas distorções e críticas por parte da população lhe foram feitas, sobre ser o assassino de seu próprio filho.
Espero que possamos ser um pouco mais racionais na hora de julgarmos alguém, por mais que seja difícil controlar as emoções. Que nossas críticas correspondam ao nosso conhecimento e que cobremos a justiça, sim, mas de maneira justa respeitosa.
Entry Filed under: 2008 - 1° Trimestre, História das mídias. Etiquetas: Caso Isabella, Guilherme Fiúza, televisão.
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