Web: complemento às mídias tradicionais ou ameaça?

Maio 9, 2008

Quando uma nova tecnologia de comunicação surge causando uma revolução em nível mundial, de todos os lados brotam especulações sobre a extinção dos meios antigos para a adoção dos modernos. Foi assim já na invenção do rádio, da TV e, mais recentemente, da Internet. De fato, são muitas as vantagens em relação aos anteriores, porém todos continuaram existindo. Por que será então que esta questão tem ganhado tamanha relevância atualmente?

Antes de analisá-la é importante ressaltar toda a trajetória pela qual a história da comunicação passou até chegar ao que temos. Os meios foram se aprimorando e atingindo a nichos de público diferentes. Poderíamos até dizer que um é a evolução do outro, mas ao mesmo tempo peças de um quebra-cabeças que se completam.

O jornal concretiza a notícia que antes só se sabia por boatos. O rádio transmite suas informações para inúmeras famílias que se reúnem na sala. A televisão apresenta aos seus telespectadores o áudio e a imagem, impressionando a todos ainda mais com surgimento da imagem colorida. E assim, chega-se à Internet, o meio que reúne todos em um só. Todavia, como fica cada mídia neste contexto?

Devemos admitir que o jornal impresso possui vantagens que a Web ainda não cobre satisfatoriamente, pois proporciona sensações inadequadas à tecnologia de ponta do meio. Prova disso é a necessidade, que a maioria das pessoas ainda tem, de ler textos em frente ao computador, levando-os a optar pela impressão de seus arquivos DOC ou PDF, por exemplo. A economia de folhas e tinta não se compara à sensação de carregar a informação nas mãos, torná-la algo tangível.

Da mesma forma, é preciso reconhecer o poder de atualização e dinamicidade dos portais de notícias online frente aos impressos. Através de hiperlinks nas próprias reportagens é possível acessar a outras informações relevantes ao fato de que se tem interesse. Fóruns de discussão, enquetes virtuais, consulta a bancos de dados com arquivos das edições passadas, seleção via RSS do que se deseja receber sobre determinados assuntos e a possibilidade de interação direta com o autor são alguns recursos só adquiridos após o uso da Web no cotidiano da sociedade. Os portais de notícias online G1 e FolhaOnline são bons exemplos de jornais adaptados para a Web que ganharam maior interatividade.

O usuário passou a não ser receptor somente, mas também criador de outras mensagens que podem agregar ou não informações relevantes ao texto. Pode até mesmo criar seus próprios textos, sem a necessidade de formação específica para tal, tendo os custos de publicação e distribuição drasticamente reduzidos.

Já o rádio entra na era digital promovendo o contato mais direto com os ouvintes e tendo sua amplitude globalizada. Ao ouvinte inúmeros recursos são disponibilizados, principalmente pelos sites das emissoras de rádio. Elas oferecem espaço para manifestação, bate-papos entre os próprios ouvintes, acesso à programação, transmissão ao vivo para qualquer lugar, blogs com o perfil da rádio e seus radialistas, informações gerais sobre temas discutidos e o próprio funcionamento, vídeos de bastidores, entre outros.

A Web digitaliza essa mídia radiofônica mostrando o que tem por trás do som, possibilitando que o ouvinte e/ou internauta explore ao máximo o que a rádio tem a oferecer. Pode, a princípio, parecer uma “competição desleal” entre os meios, porém o que se vê é que a Web tem atingido o seu auge e o rádio permanece, pois há ainda alguns locais em que é insubstituível.

Dando continuidade à evolução, atire a primeira pedra quem nunca reclamou da programação aberta da televisão. Se pudéssemos fazer nossas próprias escolhas quanto ao conteúdo, o interesse por ele certamente seria maior. Talvez com o progresso da televisão digital as coisas tomem rumos um pouco diferentes, mas enquanto isso a Web vem tomando a ponta dessa corrida.

Mesmo não sendo assinante de nenhum canal específico, o internauta sente-se acomodado por diversos portais de vídeo que não exigem contribuição financeira dos espectadores e investem em publicidade não diretamente na gravação, mas sim no conteúdo do próprio site em áreas destinadas para tal. Não temos, portanto, comerciais atrasando a programação. Assiste-se ao que se quer, elimina-se o que se repudia: a maior vantagem dos vídeos online em comparação à TV.

Cresce ainda mais, a partir do momento em que os próprios usuários passam a fazer parte do “conteúdo”, da “programação” da Web, através das suas publicações como vídeos, fotos, textos, etc. É neste contexto que ela ganha espaço, uma vez que se difere dos outros meios por permitir que as pessoas escrevam, com ela, a sua história. Como exemplos de toda essa abrangência podemos citar os portais, como Terra e UOL, que oferecem conteúdo em todos os formatos, além dos blogs que têm ferramentas que disponibilizam os mesmos recursos, dependendo somente da vontade do usuário.

Refletindo sobre todos esses pontos, chega o momento de analisar uma intrigante questão: a Internet tornou-se um complemento às mídias digitais ou uma ameaça a elas? Até o momento, o que se percebe é que esses meios ganharam um destaque próprio na Web, uma vez que os mesmos passam a ter maior interatividade dentro e fora da Web. A participação é um ponto-chave para que qualquer meio continue existindo, pois a essência da comunicação é justamente a interação entre as pessoas. A Internet pode, sim, criar necessidades que antes não existiam. Atualmente queremos e exigimos tudo extremamente atualizado, exploramos ao máximo todas as possibilidades e desvalorizamos, de certa forma, determinados recursos históricos, mas ainda assim, traz suas vantagens.

Dizer que em um futuro próximo todas as mídias só existirão de forma digitalizada seria um equívoco. Nem toda a população é usuária ativa da Web, pois grande parte ainda usa os meios tradicionais como fonte de lazer e informação. No entanto, nossa entrada “de cabeça” na Era Digital, isso sim, é uma realidade.

Daniel R. Bohn e Gabriela Steigleder

Entry Filed under: 2008 - 1° Trimestre, História das mídias. Etiquetas: , , , , , , .

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